Muitos republicanos da Câmara demonstraram cautela diante da intensificação das ameaças do presidente Donald Trump de assumir o controle da Groenlândia por meio de intervenção militar, o que tem preocupado aliados da Otan nos últimos dias.
O deputado Dan Newhouse, que representa um distrito competitivo no estado de Washington, afirmou: “Não ouvi nenhum motivo convincente para apoiar ações contra aliados da Otan.”
Questionado pela CNN, se está preocupado com o fato de a iniciativa de Trump em relação à Groenlândia desestabilizar a aliança da Otan, Newhouse respondeu: “Estamos correndo esse risco se avançarmos muito mais”.
E acrescentou: “Eu gostaria de ouvir do presidente quais são seus verdadeiros planos aqui e alguns detalhes, mas precisamos ser muito cuidadosos nesta situação.”
O deputado Don Bacon, outro republicano de distrito competitivo que se aposentará após este ano, alertou que a insistência de Trump em adquirir a Groenlândia pode prejudicá-lo politicamente, à medida que o foco se desvia das questões econômicas.
“Temos crescimento econômico de 4,3%, o que é muito bom; inflação de 2,7%, o que é razoavelmente bom; o desemprego está estável. Quero dizer, essa deveria ser a história da qual estamos falando, mas a mensagem acaba se perdendo ao falar em invadir um aliado da Otan — algo com o qual, pelo que vi, 84% dos americanos discordam”, disse ele.
O republicano de Nebraska disse à CNN que as ameaças de tomar a Groenlândia “não são corretas” do ponto de vista “moral”.
“Você não ameaça aliados nem os trata dessa forma, especialmente quando eles cooperariam conosco o tempo todo em qualquer coisa que quiséssemos fazer lá desde o início”, explicou.
“Este é o primeiro ano, em cinco, em que os salários estão crescendo mais rápido do que a inflação. Ele perdeu a mensagem sobre o que é importante”, acrescentou.
Já o deputado Mark Alford, que disse ter ido à Dinamarca no ano passado e se reunido com autoridades, afirmou: “Precisamos manter nossa integridade dentro da Otan e preservar esses relacionamentos. Acho que o presidente está no caminho certo, e o que deveríamos estar fazendo é ter uma relação mais próxima com a Groenlândia.”
“A maneira de fazer isso é usar nossa influência como nação para tentar persuadir o povo da Groenlândia de que é do interesse deles se separar da Dinamarca para que possamos comprá-los. Acho que, estrategicamente, o presidente está certo”, disse.
Embora tenha reconhecido os protestos na Groenlândia em resposta ao fato de Trump não descartar o uso das Forças Armadas dos EUA para assumir o controle do território, Alford afirmou: “Não estou preocupado com isso”.
“Isso vai dar certo. Sempre dá com o presidente Trump. Basta ter paciência. Pode ser um caminho turbulento, mas, no fim das contas, prevejo que a Groenlândia fará parte dos Estados Unidos da América”, acrescentou.
Por sua vez, o deputado Richard Hudson, que preside o braço de campanha do Partido Republicano na Câmara, disse que não está preocupado com a possibilidade os EUA invadirem um aliado da Otan “tão cedo”.
Hudson disse apoiar amplamente as políticas comerciais de Trump, mas, ao ser questionado se concordava com ameaças de impor tarifas a aliados europeus por causa da Groenlândia, respondeu: “Bom, vamos ver.”
Questionado se apoiaria o uso de ação militar na Groenlândia, o deputado Buddy Carter — que concorre ao Senado e busca o apoio de Trump — respondeu: “Olha, isso é uma ferramenta na caixa de ferramentas. Se ele está apenas ameaçando ou usando isso como alavanca, quem sabe?”
“Quando você faz um negócio imobiliário, nada está à venda até estar à venda”, acrescentou, lembrando do histórico de Donald Trump como um “cara do mercado imobiliário”.
Fonte: CNN Brasil





















