O Ministério Público de Minas Gerais pediu a condenação de Carlos Fabel, ex-diretor financeiro do Atlético Mineiro, réu por apropriação indébita desde outubro de 2024. Na ação, na qual o clube é a vítima, o MPMG pede que ele devolva R$ 4 milhões aos cofres do Galo.
A CNN Brasil obteve acesso ao documento das alegações finais da 12ª Promotoria de Justiça Criminal de Belo Horizonte no processo contra Fabel. Segundo uma testemunha ouvida no processo, uma auditoria da consultora independente Kroll apontou que três empresas contratadas pelo clube tinham o ex-diretor financeiro do Atlético como sócio.
Na época, a testemunha afirma que Fabel era responsável pelos pagamentos feitos pelo clube e que é “totalmente anormal que a mesma pessoa que contrate faça pagamento também, caso contrário é um golpe realizado pela gestão”.
Uma segunda testemunha depôs que o relatório apontava o pagamento de valores por Fabel, durante a gestão do ex-presidente Alexandre Kalil, que não se coadunavam com a prestação de serviços realizada por ele, enquanto estava no cargo.
O MPMG aponta que, na condição de Diretor Estatutário de Finanças e Orçamentos do Atlético Mineiro, foram realizadas contratações “altamente” atípicas das três empresas em que Fabel era sócio.
Uma vez realizados contratos com empresas das quais era sócio e sendo o responsável pelos contratos e pelas autorizações de pagamentos do Clube às suas próprias empresas, Carlos Fabel passou a desviar valores do clube para si próprio. Realizando autorizações de pagamentos diretos por meio de assinaturas em “notas fiscais”, o acusado conseguiu a transferência de valores muito superiores aos previstos nos contratos e aditivos celebrados entre o clube e suas empresas.
A investigação demonstrou que, a partir de ordens do réu, mais de R$ 6,2 milhões foram transferidos à Consultoria Pontual Ltda, sendo que mais de R$ 3,1 milhões foram pagos somente em notas fiscais avulsas. Valores ainda teriam sido repassados após o encerramento do contrato, entre janeiro e fevereiro de 2015, relativo a um aditivo de dezembro de 2014.
Outra evidência é sobre um pagamento indevido à Art Sports Assessoria Ltda, outra empresa de Fabel. Apesar de ter um contrato previsto de R$ 5,484 milhões, o MPMG afirma que Fabel autorizou o pagamento de R$ 6,341 milhões à companhia, ou seja, mais de R$ 850 mil que não estavam previstos em contrato.
A terceira empresa citada pelo Ministério Público de Minas Gerais é a CASF Consultoria Empresarial Ltda. Porém, nos documentos do MP, não há detalhamento sobre que tipo de envolvimento essa empresa tem na investigação.
Por fim, MPMG conclui que ficou comprovada a autoria do crime por parte do réu, conforme as evidências apresentadas por testemunhas e em documentos. “Fica muito clara a prática de apropriação indébita continuada pelo acusado”, afirmou o órgão.
No documento, a Promotoria aponta ainda a qualificadora de crime continuado. “O delito foi praticado pelo réu por inúmeras vezes no período entre 2013 e 2019″. O MP requer o aumento da pena em dois terços da previsão pelo crime de apropriação indébita qualificada.
Em 1° de dezembro de 2025, o ex-diretor foi interrogado e se defendeu das acusações, afirmando que foi contratado como pessoa jurídica, já que já tinha a própria empresa na época, e que era normal para diretores de futebol terem as próprias companhias para receber direitos. Ele também não negou os pagamentos e que eles não estavam previstos nos contratos e aditivos assinados.
A CNN Brasil tenta contato com Carlos Fabel e com as empresas citadas pelo Ministério Público.
O que diz a lei
Conforme art. 168 do Código Penal Brasileiro, o crime consiste em apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção. A pena é de reclusão, de um a quatro anos, e multa. Além disso, o tempo de pena pode ser aumentada em um terço, quando o autor recebe a “coisa alheia” nas seguintes circunstâncias:
- em depósito necessário;
- na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial
- em razão de ofício, emprego ou profissão.
Fonte: CNN Brasil





















