Embrapa e UFMG lançam plataforma para mapeamento de doenças suínas

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) anunciou nesta semana a CISS (Central de Inteligência em Saúde Suína), plataforma que integra e analisa dados sanitários de granjas em todo país.

O objetivo da iniciativa é captar e analisar dados para fortalecer a sustentabilidade, biosseguridade e vigilância epidemiológica na suinocultura brasileira.

Com essas informações, o estudo busca ajudar na formulação de políticas públicas, ações estratégicas de órgãos estatais e auxiliar o trabalho da defesa sanitária, da  indústria e dos produtores. 

A plataforma se ancora no conceito de saúde única, que preza pela identificação de doenças de forma precoce entre humanos, animais e natureza. 

“Animais saudáveis reduzem o uso de antibióticos, a mortalidade, o impacto ambiental e, consequentemente, geram alimentos mais seguros”, destaca Janice Zanella, líder da pesquisa.

Estrutura da plataforma

A CISS surgiu por meio de uma parceria entre a Embrapa e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), motivada pela necessidade de transformar informações sanitárias dispersas em inteligência estratégica para o setor. 

O programa reúne dados de granjas suínas de todo país por meio de parcerias com LDVs (Laboratórios de Diagnóstico Veterinário) que reúnem o material bruto futuramente aproveitado pelo programa.

As informações coletadas são resultados de diagnósticos laboratoriais (como o teste PCR), análise patológica e outros exames de rotina que detectam doenças endêmicas da suinocultura.

A inspiração para esse modelo vem de um mecanismo semelhante desenvolvido na Universidade Estadual de Iowa em 2019. A versão norte-americana também busca na compilação e aproveitamento de informações de doenças em suínos.

Economia suína brasileira

De acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o país exportou 1,51 milhão de toneladas de carne suína em 2025. Segundo projeções da associação, o país deve ultrapassar o Canadá e se tornar o terceiro maior exportador do mundo.

Segundo a ABPA, Brasil deve se tornar o terceiro maior exportador de carne suína do mundo • Foto: Divulgação/ Governo federal

Esse alto volume de exportações é uma das preocupações da Embrapa. “Como o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carne suína, manter a saúde dos rebanhos é essencial”, afirma Janice Zanella, líder da pesquisa.

Entre os principais desafios da criação de porcos no país estão as PRDC (Doenças do Complexo Respiratórios Suíno), que aumentam a mortalidade nas granjas e uso de antibióticos, além de reduzir o ganho de peso desses animais.

Segundo a Embrapa, o foco do estudo na espécie suína se dá pela suscetibilidade dessa espécie a vírus de aves e humanos, com potencial para o surgimento de vírus pandêmicos.

Projeto piloto

O projeto-piloto da CISS focou no teste de PCR para o agente da pneumonia enzoótica dos suínos, o MHyo (Mycoplasma hyopneumoniae), entre outubro de 2019 e dezembro de 2025. Nesse período foram analisados 253.674 testes com 10.821 registros da doença.

Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram os estados com maior frequência de submissões.

A doença apresentou pico no primeiro semestre de 2022, com 38% dos registros positivos.

Próximos passos

Com a consolidação do projeto piloto, a expectativa agora é expandir o programa. “O objetivo é criar uma rede nacional integrada, além de um comitê gestor”, afirmou Zanella.

Além disso, a Embrapa quer promover encontros para debate dos dados e boletins mensais.

*Sob supervisão de João Nakamura

Fonte: CNN Brasil

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