Após a liquidação do Will Bank na quarta-feira (21), clientes do banco digital se depararam com a suspensão dos cartões, operações, e, inclusive, o “congelamento” do saldo em conta. Porém, obrigações, como faturas e empréstimos, permanecem, explicam especialistas.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, decisão motivada pelo comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse do Banco Master.
Na prática, a liquidação do Will Bank interrompe o funcionamento da instituição e promove sua retirada do SFN (Sistema Financeiro Nacional), de forma organizada.
Nenhuma operação, como transferência, Pix, assim como a utilização de débito ou crédito, estará disponível, segundo Adriana Melo, especialista em finanças e tributação.
“Toda a comunicação passa a ser feita por meio de um site oficial da liquidação, que possivelmente será criado somente para isso, editais públicos, comunicados do Banco Central e FGC, quando aplicável.”
O CNN Money preparou um guia com as principais dúvidas de clientes do Will Bank.
Tenho fatura em aberto ou empréstimo, o que fazer?
Referente aos cartões do banco digital, a Mastercard já havia anunciado a suspensão do uso na terça-feira (20), ou seja, os clientes não poderiam utilizá-los. Com a liquidação do Will Bank na véspera, também todos os cartões são bloqueados e cancelados.
Referente ao pagamento das faturas, Melo explica que a obrigação de pagamento continua existindo após a liquidação da instituição financeira. Portanto, os clientes devem regularizar eventuais pendências e empréstimos.
A mudança é quanto ao canal de cobrança. “Em geral, essas dívidas passam a ser administradas também pelo liquidante definido pelo Banco Central, ou ainda são transferidas para outra instituição.”
Portanto, o cliente deve aguardar a orientação oficial de como pagar, mas ignorar a dívida não adianta, porque pode ter um impacto muito grande no futuro, explica a especialista.
É recomendado salvar extratos e comprovantes?
Clientes do Will Bank têm se manifestado nas redes sociais e afirmam que, apesar de todas as operações terem sido suspensas, seguem recebendo a cobrança para pagamento das faturas.
O Will Bank faliu, todas as operações suspensas… mas o aviso da fatura aberta segue online, só pra garantir que você não esqueça 😅 pic.twitter.com/MlMLucyJnO
— Eddie Drummer אדי מתופף (@drummer_eddie) January 21, 2026
Segundo economistas, é necessário ainda realizar o pagamento das faturas do cartão de crédito, assim como eventuais empréstimos. Além disso, Melo indica que os clientes do Will Bank baixem todos extratos e comprovantes da conta, enquanto esta permanece ativa.
“Se der tempo, o princípio de saldo de investimentos em conta corrente, de fatura de cartão de crédito, parcelamentos futuros, tente registrar tudo o que tem lá para conferir e assegurar que está recebendo ou que está pagando o que realmente era devido”.
Quando o aplicativo sair do ar, todos os extratos têm que ser solicitados ao liquidante e prazo costuma ser longo, acrescenta ela.
E o dinheiro que estava na conta?
Após a liquidação extrajudicial, os investidores do Will Bank estão cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), no mesmo esquema que envolveu os clientes do Master. A proteção, porém, abrange somente os investimentos financeiros no valor de até R$ 250 mil.
Ao acessar o aplicativo do banco digital, a seguinte mensagem aparece: “Devido à liquidação determinada pelo Banco Central, as operações estão suspensas. Caso você possua saldo, em breve traremos mais informações sobre como terá acesso aos seus recursos.”
Melo explica que até que todo o trâmite de pagamento pelo FGC aconteça, o saldo fica congelado, sendo necessário aguardar novos comunicados sobre o recebimento do valor.
Paulo Feldmann, professor da FIA Business School, reforça que mesmo com a fatura fechada ou em aberto, o pagamento é obrigatório, porém a situação é complicada, já que os clientes não possuem acesso ao dinheiro neste momento.
Além disso, o professor reforça que a situação deve ser ainda mais complicada para os clientes de baixa renda, sendo que o banco digital tinha como foco as classes C, D e E.
“O cliente precisa arrumar recursos em outras fontes, o que é muito difícil. Às vezes ele tinha todo o dinheiro no Will Bank, principalmente o cliente típico, que é um cliente de renda baixa, e não tem possibilidade de colocar seu dinheiro em vários bancos.”
Para os clientes que possuíam mais de R$ 250 mil no Will Bank, a cobertura do FGC não se aplica. Segundo Feldmann, um cliente que possui R$ 300 mil aplicados em CDB no banco digital acontece o seguinte:
- Desses R$ 300 mil, R$ 250 mil a pessoal recebe logo.
- Referente aos R$ 50 mil restantes, vai demorar, devido à finalização de todo o processo de liquidação
Como evitar prejuízos em aplicações após os casos de liquidação?
Segundo o especialista, é necessário estar atento a diversos pontos ao escolher a instituição financeira e o tipo de aplicação ou investimento, principalmente diante das recentes liquidações.
“A liquidação do Banco Master vai levar a 40% do FGC, ou seja, o FGC fica assim um pouco mais frágil a partir de agora. É importante olhar esse risco antes de ir para o terceiro prazo, que é assim, ver o retorno”, explica.
Para Costa, é necessário, primeiro, entender o objetivo do investimento e, então, estabelecer a liquidez. Após isso, é preciso analisar o risco, explica ele.
“No segundo passo, eu vou analisar o risco, então qual é o risco que eu quero e o que eu posso correr, e aí acontece a maior negligência normalmente dos investidores iniciantes, porque eles se apoiam unicamente na FGC ou em outras garantias que, como a gente está vendo, elas existem, mas elas não são perfeitas”
É importante buscar um investimento que esteja adequado em termos de liquidez e que não se apoie apenas no FGC, acrescenta.
Fonte: CNN Brasil





















