A analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta avaliou que o governo dos Estados Unidos está mais interessado em garantir um governo na Venezuela que atenda a seus interesses materiais do que promover uma verdadeira reestruturação institucional no país.
Durante análise no programa CNN 360°, Magnotta destacou que a recente reunião entre a opositora venezuelana María Corina Machado e Donald Trump levanta questões sobre o plano de governança americano para a Venezuela. “Uma reunião que ainda deixa perguntas no ar e que talvez possa dar algumas pistas sobre qual é o plano de governança para a Venezuela”, comentou a especialista.
A analista lembrou que María Corina foi apoiadora da intervenção estrangeira para conter o regime chavista e existem indícios de que ela contribuiu com articulações nos bastidores para que os Estados Unidos endurecessem medidas contra o governo Maduro. “Ela era vista pela própria liderança venezuelana como alguém que teria um alinhamento com os Estados Unidos”, explicou.
Interesses materiais em primeiro lugar
Segundo Magnotta, a movimentação atual revela que o governo americano está “menos interessado em, de fato, fazer uma reestruturação institucional na Venezuela, uma mudança de regime como manda o figurino, no sentido de estabelecer uma democracia, e talvez esteja mais interessado propriamente em garantir um governo de ocasião que seja conveniente para os interesses objetivos, materiais dos Estados Unidos”.
Entre esses interesses, a analista citou o acesso ao petróleo venezuelano, terras raras e minerais críticos, vantagens logísticas e o isolamento relativo de outros atores extra-regionais como Rússia e China. “Se isso for alcançado com quem está sentado na cadeira, a sensação que eu tenho é que não há interesse em discutir valores ou questões ideológicas mais profundas”, avaliou.
Para a especialista, se o objetivo real fosse restaurar a democracia venezuelana, “os primeiros passos teriam sido bastante diferentes, inclusive porque oportunidade não faltou”. Ela destacou que seria uma ocasião ideal para apoiar a ideia de que a próxima presidente da Venezuela poderia ser uma vencedora do Nobel da Paz, referindo-se a María Corina Machado.
Magnotta concluiu que a abordagem americana parece ser “muito mais uma leitura de mundo transacional do que qualquer outra coisa”, sugerindo que Trump está avaliando onde é que ele obtém a melhor vantagem.
Fonte: CNN Brasil



















