A força do agro na economia brasileira

O agronegócio é um dos principais pilares da economia brasileira. Considerando toda a cadeia produtiva, que inclui produção no campo, insumos, agroindústria, transporte e comércio, o setor responde por 20% a 25% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.

“O segmento é atualmente o motor mais dinâmico da economia nacional, não havendo outro setor com desempenho semelhante”, avalia Luiz Honorato Junior, economista e pesquisador da UnB (Universidade de Brasília).

Para ampliar a cobertura setorizada voltada aos setores que sustentam o PIB brasileiro, A CNN Brasil inicia no próximo mês a cobertura setorizada do agronegócio brasileiro.

A partir do dia 9 de fevereiro, a emissora oficializa a estreia do CNN Agro, novo núcleo editorial dedicado ao agronegócio, que terá uma presença multiplataforma, ocupando espaços de destaque tanto no canal principal da CNN Brasil quanto no CNN Money e nas plataformas digitais.

Nos últimos 40 anos, o Brasil saiu da condição de importador de alimentos para se tornar um relevante fornecedor para o mundo. Entre os indicadores mais ilustrativos da trajetória recente da agricultura brasileira estão os números de produção e os índices de produtividade da safra de grãos (arroz, feijão, milho, soja e trigo). 

A produção que era de 38 milhões de toneladas em 1975, cresceu pouco mais de 831%, devendo superar as 354 milhões de toneladas em 2026. No mesmo período, a área cultivada aumentou 200% para 84,4 milhões de hectares, que deverão ser semeados na safra 2025/2026.  

Na pecuária, o número de cabeças de gado bovino mais que dobrou nas últimas quatro décadas, para 238 milhões de cabeças, garantindo ao país o maior rebanho comercial do mundo.

Esse intenso processo de modernização das cadeias produtivas contribuiu para a ampliação contínua do PIB da agropecuária, que em 2025 cresceu 11,6% no acumulado dos três primeiros trimestres do ano.

Este desempenho ajudou a sustentar a expansão de 2,4% do PIB nacional no período, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É comum que o crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro tenha forte dependência do agronegócio, tanto de forma direta quanto indireta.  

O desempenho de 2025 se soma aos números consolidados de 2024, onde a participação do agronegócio na economia brasileira foi de 23,2%.

Naquele ano, o PIB do agronegócio cresceu 1,81% em relação a 2023, alcançando R$ 2,72 trilhões, segundo dados da CNA e do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Desse total, R$ 1,9 trilhão vieram do ramo agrícola e R$ 819,26 bilhões do ramo pecuário. 

Sem a contribuição do campo, o crescimento da economia brasileira teria sido menor. De acordo com avaliação da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária), caso a agropecuária tivesse registrado crescimento zero em 2025, o avanço do PIB total teria sido de 1,6%, e não os 2,4% observados. 

O economista da UnB destaca que, embora recentemente o setor petroquímico venha apresentando crescimento e contribuindo para a geração de divisas, ele ainda não possui o mesmo histórico, grau de robustez ou nível de competitividade internacional alcançado pelo agronegócio brasileiro. 

Enquanto o agro apresentou crescimento de dois dígitos, outros setores avançaram de forma mais moderada no mesmo intervalo.

A indústria cresceu 1,7%, os serviços 1,8%, e as indústrias extrativas tiveram alta de 7,4%. Entre os segmentos com melhor desempenho, além da agropecuária, também se destacaram informação e comunicação, com expansão de 6,2%. 

O economista atribuiu a predominância do agronegócio às vantagens comparativas do Brasil, como a extensa área territorial, longa tradição na atividade agrícola, disponibilidade de terras, possibilidade de colheita de mais de uma safra por ano, custos relativamente baixos, abundância de recursos naturais, como água, boa incidência solar, e baixo custo da mão de obra.

De acordo com ele, essas condições não se reproduzem com a mesma intensidade em outros setores da economia, o que limita a competitividade nos outros segmentos. 

Exportações 

Além do impacto no PIB, o setor tem papel central na balança comercial. Em 2025, o Brasil exportou US$ 348,6 bilhões, segundo dados do Comexstat, do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio e Serviços).

Deste total, US$ 169,2 bilhões tiveram origem no agronegócio, o correspondente a 48,5% de todas as exportações do país, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária.  

Esses recursos, de acordo com Honorato, sustentam a balança comercial e viabilizam a importação de bens e insumos considerados essenciais, como medicamentos, equipamentos médicos, automóveis, máquinas, serviços e outros produtos utilizados pela população e pela indústria. 

No ano passado, a China foi o principal destino dos produtos do agro brasileiro, com 32,68% de participação, seguida pela União Europeia, com 14,9%. Entre os principais itens exportados destacam-se carnes, café, soja e produtos do complexo sucroalcooleiro. 

“Comerciante não escolhe cliente, então se você tiver um grande comprador ele é quem vai dar giro e viabilizar o seu negócio. Por outro lado, há dependência econômica e geopolítica em relação a este ator”, disse Honorato em relação à China.

Segundo ele, é positivo ter o país como importante comprador, mas, dada a sua importância e por ser um comprador quase exclusivo de alguns produtos do agro brasileiro, a forte dependência pode ser “preocupante em situações de crise”. 

Relevância 

O alcance do agronegócio também vai além da geração de riqueza. O setor é fundamental para o abastecimento do mercado interno e para a oferta global de alimentos, o que confere ao Brasil relevância estratégica no comércio internacional.  

Outro aspecto relevante é a geração de empregos. São 28,2 milhões de pessoas empregadas no campo, segundo pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a CNA. 

A atividade agropecuária apresenta forte efeito multiplicador: quando o campo cresce, há reflexos diretos em áreas como indústria de alimentos, transporte, serviços financeiros, comércio, logística e tecnologia.

“Os ganhos que o agro pode trazer para os outros setores são inúmeros, porque o rendimento é para o Brasil e todos se beneficiam”, disse o economista. 

Fonte: CNN Brasil

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