Entenda como são as relações entre Brasil e Irã em meio à crise no país

O Irã foi tomado por uma onda de protestos antigoverno — considerado o maior desafio ao regime em anos — há pelo menos duas semanas. O Brasil, que ainda não emitiu nota sobre as manifestações, tem uma relação com o país de mais de 120 anos.

As relações diplomáticas entre Brasil e Irã iniciaram em 1903 e se fortaleceram com visitas de alto nível, como a do chanceler Mauro Vieira à capital Teerã, em setembro de 2015, segundo o Itamaraty. Com objetivo de ampliar o diálogo, o Brasil discutiu paz e segurança, desarmamento e a situação do Oriente Médio na época.

Ministro Mauro Vieira e o embaixador Santiago Mourão, com o Presidente do Irã, Hassan Rouhani • Itamaraty/Presidência da República Islâmica do Irã

Durante o governo de Michel Temer, em 2018, o ministro de negócios e chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif foi à Brasília para discutir comércio e relações bilaterais.

Já durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro da Agricultura do Irã esteve no Brasil e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, em abril de 2024. Na ocasião, os dois governos concordaram com a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral para agilizar pautas de interesse comum e ampliar o intercâmbio técnico.

Poucos meses depois, em julho, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSDB) compareceu à cerimônia de posse do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em Teerã. A agenda do parlamentar também previa reuniões com empresários na Câmara de Comércio do Irã.

Parceria comercial bilionária

O Irã é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2025, as exportações brasileiras com destino a Teerã ultrapassaram os US$ 2,9 bilhões, consolidando o país persa como o quinto maior destino das vendas nacionais na região, segundo dados do governo federal.

Para efeito de comparação, as exportações brasileiras ao Irã superaram, no mesmo período, as destinadas à Suíça, África do Sul e Rússia.

O agronegócio é o principal motor do comércio entre Brasil e Irã. Dos cinco principais produtos exportados ao país persa, quatro são do setor. A lista é liderada pelo milho, seguido pela soja, açúcares, farelos de soja para animais e petróleo.

As relações diplomáticas entre Brasil e Irã encontraram um recente impasse. Agora, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que os EUA irão aplicar tarifas de 25% sobre países que negociarem com o Irã.

A CNN tentou contato com o Itamaraty para um posicionamento sobre os protestos no Irã e a ameaça de tarifa dos EUA, mas não teve o retorno até o momento desta publicação. O espaço continua aberto.

Entenda a onda de protestos no Irã

Protestos antigoverno acontecem no Irã há pelo menos duas semanas, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.

As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) — a maior noite de manifestações nacionais até agora — deixando o país praticamente isolado do mundo exterior.

Organizações de direitos humanos disseram que mais de 500 pessoas foram mortas e cerca de 10.600 foram presas desde o início dos protestos.

Trump ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com violência. O Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, pediu que o presidente dos EUA “foque em seu próprio país” e culpou o país norte-americano por incitarem os protestos.

O que desencadeou os protestos?

Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.

As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.

A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado — o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.

A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.

O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, porém a medida não conseguiu conter a insatisfação.

Quão difundidos são os protestos?

As manifestações mais recentes são as maiores em escala desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia da polícia religiosa, motivou os amplos protestos “Mulher, Vida, Liberdade”.

Pessoas de mais de cem cidades participaram dos atos, que começaram há quase duas semanas.

Os protestos se espalharam para províncias iranianas até Ilam, uma região de maioria curda que faz fronteira com o Iraque, e Lorestão, ambas surgiram como pontos críticos de inquietação.

Alimentadas pela divisão étnica e pobreza, multidões incendiaram as ruas e entoaram “Morte a Khamenei”, desafiando diretamente Khamenei, que detém autoridade máxima sobre os assuntos religiosos e estatais do país.

*Com informações de Mostafa Salem, Gabriel Garcia e João Scavacin, da CNN Brasil

Fonte: CNN Brasil

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