Chefe do clima da ONU critica saída dos EUA de tratado climático

O chefe do clima das Nações Unidas, Simon Stiell, disse nesta quinta-feira (8) que a decisão dos Estados Unidos de deixar o principal tratado climático da ONU é um “gol contra colossal” que prejudicará a economia, os empregos e o padrão de vida americano.

“Enquanto todas as outras nações estão avançando juntas, este último retrocesso na liderança global, na cooperação climática e na ciência só pode prejudicar a economia, os empregos e o padrão de vida dos EUA, à medida que os incêndios florestais, as inundações, as tempestades de grandes proporções e as secas pioram rapidamente”, afirmou Stiell em um comunicado.

“É um gol contra colossal que deixará os EUA menos seguros e menos prósperos”, completou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, um crítico ferrenho da energia renovável que chamou a mudança climática de “farsa”, foi além de sua ação anterior de retirar os EUA, o maior emissor histórico de gases de efeito estufa do mundo, do Acordo de Paris sobre o clima, removendo o país da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).

A UNFCCC exige que os países industrializados ricos tomem medidas para reduzir suas emissões, adotem políticas para limitar as emissões de gases de efeito estufa, divulguem publicamente suas emissões e forneçam financiamento para ajudar as nações mais pobres a lidar com as mudanças climáticas.

Nesta quinta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que os EUA se retirariam imediatamente do principal mecanismo de financiamento climático da UNFCCC, o Fundo Verde para o Clima, e de seu conselho administrativo.

Os Estados Unidos também se retiraram do principal órgão científico da ONU sobre mudanças climáticas, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Os cientistas norte-americanos desempenharam um papel fundamental nas avaliações do IPCC.

A medida gerou críticas tanto de autoridades europeias quanto de grupos ambientalistas.

“A Casa Branca não se importa com o meio ambiente, a saúde ou o sofrimento das pessoas. Paz, justiça, cooperação ou prosperidade não estão entre suas prioridades. Nem mesmo o grande legado dos EUA para a governança global”, disse Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, responsável pelos esforços gerais da UE em relação às mudanças climáticas e ao meio ambiente, em uma publicação no Bluesky.

O ex-vice-presidente dos EUA Al Gore afirmou que a saída dos EUA do IPCC visa semear dúvidas sobre a ciência climática em nível global, mesmo enquanto o resto do mundo se mantém fiel ao tratado climático da ONU.

“Ao se retirar do IPCC, da UNFCCC e de outras parcerias internacionais vitais, o governo Trump está desfazendo décadas de diplomacia arduamente conquistada, tentando minar a ciência climática e semeando desconfiança em todo o mundo”, disse.

[Reportagem de William James, Valerie Volcovici e Kate Abnett]

Fonte: CNN Brasil

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