Empresa de Vorcaro tem R$ 303 milhões em contratos com governo Lula

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fechou pelo menos R$ 303,6 milhões em contratos com o Ministério da Saúde do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o fornecimento de insulina. A transação foi realizada através da Biomm, uma empresa de biotecnologia que tem um dos fundos da instituição financeira como sócio.

De acordo com uma apuração publicada nesta quinta (29) pelo Poder360, o fundo de investimentos Cartago, vinculado ao Banco Master, tem 25,86% da Biomm, junto do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (8,24%) e do BNDESPar, braço do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para participações em empresas privadas, com 5,12%. Portanto, o fundo de Vorcaro é o maior acionista único na empresa.

Em 26 de abril de 2024, o presidente Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da Biomm em Nova Lima (MG), mas sem a presença de Vorcaro. Entre os acionistas, estiveram presentes apenas Mares Guia (que foi seu ministro nos dois primeiros mandatos) Lucas Kallas, da Cedro Participações, dono de 8% da empresa.

À Gazeta do Povo, o Ministério da Saúde afirmou que a parceria para produção de insulina no Brasil envolvendo a Biomm começou em 2013, “mais de uma década e sete anos antes da participação do Fundo de Investimento Cartago na empresa”. A pasta ressaltou ainda que cumpriu estritamente as regras da Lei de Licitações, “vencendo a empresa que ofertou o menor preço”. “Os medicamentos foram entregues pela Biomm, primeira colocada no pregão, no prazo e qualidade estabelecidos pelo contrato”, completou (veja na íntegra mais abaixo).

Já a Biomm respondeu que “não permite interferência direta por parte de acionistas individuais”.

VEJA TAMBÉM:

  • Escândalo do Master gera crise em pilar da política climática de Lula

De acordo com a apuração do Poder360, os contratos da Biomm com o Ministério da Saúde foram informados pela própria empresa em fatos relevantes ao mercado, e previam entregas de longo prazo – em até 10 anos – de insulina ao Sistema Único de Saúde (SUS). As operações envolvem a produção e entrega de insulina humana e insulina glargina, produtos estratégicos para a rede pública de saúde.

Em 30 de junho de 2025, a Biomm anunciou contrato de R$ 142 milhões para fornecimento de insulina humana ao Ministério da Saúde, com compra programada para um ano. O acordo faz parte de uma parceria para desenvolvimento produtivo com a farmacêutica Wockhardt e a Fundação Ezequiel Dias.

Já em 3 de novembro de 2025, a empresa comunicou a assinatura de contrato inicial de aproximadamente R$ 131 milhões para a entrega de insulina glargina ao ministério. Nesse caso, a parceria envolve a Gan&Lee Pharmaceuticals e Bio-Manguinhos/Fiocruz, também no modelo de desenvolvimento produtivo.

Além desses valores, o Ministério da Saúde firmou um termo de contrato com a Biomm para a compra de 2,01 milhões de doses de insulina glargina no valor de R$ 30.650.480,80. O prazo de vigência é de 12 meses a partir da assinatura, com possibilidade de prorrogação por até 10 anos.

A entrega das doses está dividida em quatro lotes, com prazo máximo previsto até 15 de abril de 2026. O cronograma segue o padrão de fornecimento contínuo adotado pelo SUS para medicamentos de uso regular.

O Banco Master foi liquidado em novembro do ano passado pelo Banco Central após barrar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB) por “graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”. Posteriormente, se descobriu a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro ao banco estatal do Distrito Federal e outras ramificações dos negócios de Vorcaro.

O que dizem os citados

Veja abaixo o que disse o Ministério da Saúde sobre os negócios com a Biomm:

As parcerias para produção de insulina no Brasil envolvendo a Biomm e os laboratórios públicos Fiocruz e Funed começaram em 2013 e 2017, respectivamente – mais de uma década e sete anos antes da participação do Fundo de Investimento Cartago na empresa.

Com a retomada desta política pelo Ministério da Saúde em 2023, o Brasil voltou a produzir insulina, medicamento essencial para população e para o SUS, após mais de 20 anos, agora com duas plataformas tecnológicas inovadoras.

Sobre o processo de compra de insulina glargina, o Ministério da Saúde cumpriu estritamente as regras da Lei de Licitações, vencendo a empresa que ofertou o menor preço. Os medicamentos foram entregues pela Biomm, primeira colocada no pregão, no prazo e qualidade estabelecidos pelo contrato.

Veja abaixo o que disse a Biomm sobre a apuração:

A companhia, de capital aberto e pulverizado, não possui acionista controlador e sua governança não permite interferência direta por parte de acionistas individuais.

A empresa fornece medicamentos tanto ao sistema de saúde público como também ao mercado privado no Brasil. Todos os contratos de Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) seguiram rigorosamente o processo estipulado pelo Ministério da Saúde, com o propósito de restabelecer a produção nacional de insulina e evitar crises maiores por falta desse medicamento essencial a pacientes diabéticos. Além de PDPs, todos os contratos de fornecimento de medicamentos são realizados por meio de licitações com pregões eletrônicos registrados, competição direta e transparente entre fabricantes, e seleção daquele que oferece o menor preço ao sistema público de saúde.

Fonte: Gazeta do Povo

Leia também:

  • All Post
  • Cultura
  • Economia
  • Esporte
  • Estilo de Vida
  • Global
  • Justiça
  • Política
  • Tecnologia

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Edit Template

Não perca nenhuma notícia importante. Assine nossa newsletter.

Mais Lidas

  • All Post
  • Tecnologia
  • Política
  • Justiça
  • Global
  • Estilo de Vida
  • Esporte
  • Economia
  • Cultura

© Copyright 2000-2025 Olhar 4K